Nos primórdios do cristianismo, anotavam-se os nomes dos irmãos que morriam em dípticos, listas que eram lidas durante a liturgia. Há testemunhos de orações pelos mortos já nos séculos II e III, tanto em escritores antigos quanto em inscrições das catacumbas. Nas catacumbas, os primeiros cristãos esculpiam a figura de Lázaro nos túmulos, esperando que seus queridos também retornassem à vida graças a Cristo. No século VI, mosteiros beneditinos já recordavam os monges falecidos em uma comemoração celebrada na época de Pentecostes. Uma liturgia dedicada a um único falecido só surgiu no século IX, herdeira de um costume monástico, em vigor desde o século VII, de reservar um dia inteiro de oração por um morto. Santo Odilo, quinto abade de Cluny, morto em 1048, determinou que todos os fiéis defuntos fossem lembrados a cada ano nos mosteiros de sua congregação. A partir de Cluny, o costume passou a outras congregações beneditinas e também aos cartuxos; depois, a Igreja universal o acolheu.
A diocese de Liège foi a primeira a acolher a comemoração, no governo do bispo Notger, que morreu em 1008. O martirológio de São Protádio de Besançon, elaborado entre 1053 e 1066, registra a comemoração. Entre 1120 e 1125, o bispo Otrico levou a comemoração a Milão. No Martirológio Romano, o dia 2 de novembro traz a Comemoração de todos os fiéis defuntos.
Segundo a doutrina cristã, a morte não pertence à ordem natural: ela decorre do pecado e contraria o desejo de Deus. A Igreja ensina que as almas que deixam o corpo sem plena purificação dos pecados veniais, ou sem ter expiado tudo, ficam, por enquanto, impedidas de contemplar a Deus. Ensina também que os fiéis na terra podem socorrê-las por meio da oração, da esmola e, acima de tudo, do sacrifício da Missa.
A Igreja celebra a comemoração em novembro; se ela coincidir com um domingo ou com uma solenidade, passa para o dia seguinte. Nesse dia, o clero deve rezar o Ofício dos Defuntos; as missas são todas de Réquiem, exceto uma da festa em curso, quando esta a exige. Na missa dos defuntos não há aleluia nem beijo da paz, e o aleluia dá lugar a um tracto. Em Finados, os padres da Espanha, de Portugal e da América Latina celebram três missas. O Ofício dos Defuntos romano reúne Primeiras Vésperas, Missa, Matinas e Laudes, e não inclui Horas menores, Segundas Vésperas nem Completas.